quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sobre lugares e sensações


Estive duas semanas trabalhando no Haiti e escrevi um email para compartilhar minhas impressões com os meus amigos. Por sugestão do Bruno, e considerando que este blog tá bem morto mesmo, achei que valia a pena compartilhar aqui.

Gente, o Haiti é uma loucura. Antes de ir, pensei que a Stéphanie, minha colega que foi comigo e que já tinha ido ao Haiti em duas missões anteriores, estava exagerando sobre o país. Pensei que para quem conhece países como Venezuela, Guatemala ou Panamá, o Haiti seria sussa. Mas não, não é.
É muito pior do que tudo o que já vi (deve ser mais parecido com partes da África, Índia ou Bangladesh).

Os sinais do terremoto estão por todo o lado. Até o palácio presidencial (foto aqui) está completamente destruído. O presidente se instala numa casa ao lado, isso quando ele está no país, já que ele passa a maior parte do tempo em sua casa de Miami. Mas nem vou entrar no tema da política por lá, porque é muito mais profundo.


As pessoas não têm trabalho. Ponto. Para quem conhece, lembra de como é nos países da América Latina em dias de mercado? Fica todo mundo na rua, andando pra cima e pra baixo, vendendo coisas, conversando, fazendo nada? Então, em Port-au-Prince é assim todos os dias. Todos os dias mesmo. E todas as horas do dia. Todas as horas mesmo.



Eu fiquei pensando numa imagem para as pessoas entenderem do que estou falando. Pois pensei no seguinte: imaginem as ruas da Pompeia cheias de muitas subidas e descidas e bem estreitas, com calçadas mais estreitas ainda e de mão dupla, certo? (podem imaginar Santa Tereza no Rio também, acho que é até melhor...), entonces, aí, tirem as casas e coloquem barracas, tendas, empilhados de madeira, concreto, tudo muito destruído, destruído mesmo, sem um pedaço da casa, com as paredes abertas e muitas lonas para tapar e cobrir tudo. Tirem também arvores que eventualmente existam e tirem um asfalto bem feito ou minimamente acabado e incluam no lugar uns buracos do tamanho do mundo. Agora adicionem lixo, muito lixo, em sacos, ao ar livre, empilhados ou espalhados. Fuçando nos lixos, coloquem cachorros, porcos, cabritos e galinhas (muitos e na mesma quantidade). Aí, coloquem as pessoas, muitas pessoas, de todas as idades, andando ou paradas, sempre carregando algo, grandes baldes ou tigelas enormes e pesadas na cabeça, outras pessoas sentadas no chão, vendendo frutas e legumes, vendendo roupas ou produtos de beleza ou minutos de celular, ou bilhetes de loteria. Muitas pessoas vendendo, quase ninguém comprando. Então, adicionem os carros. Dois tipos diferentes de carros, os jipes americanos mais ou menos bem cuidados da elite e da cooperação internacional, e os carros caindo aos pedaços do povo. 


Por último, incluam o transporte coletivo, que é feito por um carro tipo uma saveiro, super coloridos, com desenhos variados, com imagens de jogadores de futebol brasileiros (vi um Messi também, vai...), frases religiosas ou de motivação, enfim, decorados de todas as formas, com uma cobertura alta na parte de trás, em que as pessoas se sentam/empilham para serem transportadas. Como trilha sonora, incluam as buzinas, o tempo todo. E como cenário de background, sol, 32ºC, e chuva, muita muita chuva no fim da tarde, o que gera as enxurradas e subsequentemente as poças, que permanecem pelos próximos dias. Também no background e com uma frequência relevante, incluam grandes caminhões das Nações Unidas carregando soldados ou pedras.



Agora vcs visualizaram Port-au-Prince. E não é assim numa única área. Andei a cidade toda e é assim por todo o lado.



O único (único!) lugar bonito que vi na cidade toda é o palácio destruído. A catedral (aqui), ou o que sobrou dela, também é linda.
Ok, vi também dois restaurantes e um hotel frequentados pela elite local e pela cooperação internacional.






Mas, voltando ao caos. Com a situação descrita, é fácil deduzir que o transito não anda, por óbvio. Não anda. Para ir de um lugar a outro, o normal é levar uma hora. Ainda que seja bem perto. Um dia, ficamos 40 minutos parados dentro do carro na frente de um buraco na rua que estava sendo consertado naquele momento. Era uma encruzilhada de três sentidos (acho que isso não é muito preciso, mas tudo bem) e ninguém conseguia atravessar. Havia um policial tentando coordenar o fluxo, ou melhor, desentalar o sujeito que estava com o carro dentro da cratera, para conseguir liberar minimamente o tráfego e fazer fluir o trânsito. E outros 10 homens (ou mais) em volta, dando palpites. Chegou um mega carrão, de alguma autoridade ou de um endinheirado qualquer, vai saber, e veio cruzando todo mundo na contramão, porque por algum motivo, ele achou que ele ia passar. Todo mundo começou a xingá-lo, afinal, ele travou o transito de tal maneira que era muito difícil visualizar uma saída (foto abaixo). Aí, sabem o que o policial fez? Mandou todo mundo à merda e foi embora. Juro, assim mesmo. Eu e Stéphanie quase descemos para tentar coordenar a coisa. Mas o nosso parceiro local nos proibiu (ainda bem!).


No Haiti, há uma montanha de cooperação internacional. E ao que parece, não está funcionando. São milhões e milhões de dólares investidos para pagar o RH de todas as organizações que deve sobrar bem pouco para investir mesmo em transformar o país. A vontade é de dizer para todo mundo o seguinte: parem tudo, sentem, conversem e tracem um novo plano, porque do jeito que tá, não está funcionando. Ponto.

Fiquei duas semanas por lá (que pareceram seis meses) e não sei o que acho dos haitianos. Não dá nunca para saber se eles estão felizes, tristes ou putos, é sempre muito difícil. Chama a atenção é que eles são vaidosos, muito vaidosos. Estão sempre muito bem vestidos e penteados, o que é bastante surpreendente se você pensar no caos que é a cidade e as casas das pessoas, além do calor que faz por lá. Talvez por esse excesso de vaidade é que o comércio que mais se vê pela cidade é Salon de Beauté para mulheres e Barber Shop para homens. Quando pegamos a estrada, chamou a atenção também a quantidade de funerárias. Pros haitianos, os ritos funerários são super importantes e eles gastam muito dinheiro nisso. Parece que uma das coisas mais sofridas para eles no pós-terremoto foi não poder enterrar propriamente os mortos. Lembram que eles queimaram os cadáveres nas ruas? Então, parece que isso foi muito difícil por lá.


Por lá, visitei também um campo de refugiados, chamado Camp Corail (foto abaixo). Apesar de imaginar que não deve ser fácil viver num campo, eu preferiria um milhão de vezes morar ali do que em PAP. Mesmo. São minicasas de madeira, banheiros públicos compartilhados, luz elétrica eventual, mas tudo é muito mais limpo e organizado do que na cidade.








Aliás, fora de PAP, o Haiti é bonito, devo dizer. As cidades seguem sendo caóticas e feias, mas as praias são maravilhosas. Eu e a Steph passamos o fim de semana em um hotel na Ile-à-Vache (ilha da vaca), um lugar maravilhoso. O hotel era de um francês e por ser a ilha uma rota haitiana e jamaicana pro tráfico de drogas, temo que ele deva ser um big boss do tráfico por lá e o hotel é só fachada ou lavagem de dinheiro. Não sei, não investiguei, só fiquei com a impressão. Talvez se tivesse descoberto algo não estaria aqui para contar a história, né?





Na volta da ilha, nosso carro quebrou na estrada, perto de Les Cayes, uma cidade “perigosa” do Haiti. Nosso motorista não sabia o que fazer (nosso primeiro motorista era surreal, do tipo que vc não sabe se sente dó ou raiva, sabe?) e essa foi uma experiência bem desagradável. Senti medo, o que eu detesto sentir. Medo por ser mulher parada no meio de uma estrada, com um monte de homem parando na estrada não para te ajudar, mas para olhar. Horrível.

Mas além do medo, o que mais me incomodava era a culpa. No Haiti, eu me sentia culpada o dia todo. Culpada por ter uma situação melhor e pensar que as pessoas vivem assim; por sentir nojo de algumas coisas que são cotidianas por lá; por querer trocar de motorista porque ele não fala francês e não conhece bem os caminhos, mas saber que ao pedir para substituí-lo, ele perderá o emprego; por achar o hotel muito ruim quando o meu quarto é muito maior do que a casa da maioria das pessoas; por saber que estou por lá trabalhando com algo que pode melhorar um pouquinho a vida das pessoas, mas me sentir meio estelionatária porque sei que, do jeito que a coisa anda, nada vai mudar de fato no fim das contas. Enfim, sabem essa sensação?
Então, e horrível sentir-se mal o tempo todo por sentir-se mal de estar em algum lugar.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sobre a minha primeira vez

Posso contar uma coisa bem pessoal?
Posso, claro, né?, o blog é meu.

Hoje, nesse dia 31/10/2011, faz exatamente 18 anos da primeira vez em que fiquei menstruada.

Eu fui contar sobre a maioridade da minha menarca para o Guiba. E ele não achou nada demais nisso e ainda me perguntou porque eu, que não tenho memória para nada, lembro desse dia.
Pois bem, eu lembro desse dia. E vim aqui para contar.

Lembro porque era Halloween, agora Dia do Saci nas terras brasileiras.
E era um feriadão de calor por aqui.
Lembro que no prédio para o qual eu tinha me mudado pouco tempo antes, o antigo zelador deixara seus móveis no salão de jogos que ainda não tinha jogos.
Sofá, colchão, cadeiras, o cenário ideal para... olimpíadas.
E nós, a molecada do prédio, estávamos lá, brincando de olimpíadas com os móveis do cara.
Como vocês devem ter sido capazes de imaginar, olimpíadas consistia em fazer atividades de pular o sofá e cair no colchão, de diferentes maneiras, dar cambalhotas e estrelas e se estatelar no colchão, fazer obstáculos com os móveis, enfim, uma infinidade de possibilidades.
Bom lembrar que àquela época não existiam câmeras nos prédios que rapidamente denunciariam as nossas peripécias olímpicas.
Enfim, éramos crianças felizes, ativas e não vigiadas por vídeo-monitoramento.

Mas não é que justo naquele dia em que a brincadeira era a manobra radical eu deixei de ser criança e virei mocinha?!?!

Eu me senti meio estranha, com uma sensação estranha, na verdade, e subi em casa para fazer xixi.
Ao me ver ali, com aquele sujinho na calcinha, chamei minha mãe.
E minha mãe, que pode render vários posts por si só, teve aquela atitude típica (?) de mãe.
Achou incrível minha primeira menstruação e foi toda feliz me abraçar enquanto eu estava sentadinha na privada com cara de não estou nada feliz com esse momento.
E trouxe o absorvente.
Dicas práticas sobre como usar / quando trocar, enfim a etiqueta do absorvente, e lá fui eu de absorvente no meio das pernas voltar para a olimpíada.
Vale lembrar que à época o Intimus Gel ainda não tinha revolucionado o conceito de absorvente, a gente chamava absorvente de modess e o troço dava a sensação de que você estava usando uma tábua de passar no meio da pernas.
Preciso dizer que não consegui mais me sentir uma atleta olímpica com habilidade e desenvoltura de movimentos???
E como toda pré-adolescente, eu não poderia imaginar vergonha maior naquele momento do que se os meus colegas atletas olimpícos descobrissem a minha condição.
Disse que estava com dor de barriga.
E passei o resto do dia em casa me sentindo a ex-criança mais infeliz da face da terra.

Mas era noite de Halloween e nós tínhamos programado fazer um "doces ou travessuras" pelo prédio todo.
Aí, lá fui eu, me sentindo super desajeitada, de porta em porta, junto com meus colegas bruxas e zumbis para ganhar doces pelo prédio.

Lembro bem da sensação de me sentir fora de contexto.
Eu era uma mocinha. E lá estava eu fazendo coisas de criança.

Enfim, não lembro mais de nada relevante a não ser essa sensação de estar fora de lugar e estar usando uma tábua de passar.

Passados tantos anos, além da sensação de ter envelhecido (essa me acomete sempre que que calculo quantos anos já se passaram de algum fato marcante, por exemplo, já faz mais de 10 anos que tenho carta de motorista!), penso que vai ver que esse trauma da primeira vez fez com que eu, para todo o sempre até hoje, odiasse ficar menstruada.
E vai ver que é por isso que eu tenho tantas histórias cômicas ou dramáticas com esse que deveria ser um fato simples e corriqueiro na vida de qualquer mulher.
Até que decidi que isso não é para mim. E farmacêuticos abençoados tornaram o meu sonho realidade.

É isso.
Um brinde à maioridade da minha vida de mocinha.
E aos farmacêuticos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sobre repensamentos



Estou por aqui repensando a existência deste blog.

Lá atrás, nos idos de 2008, quando eu criei este espaço, eu disse

"E, falando bem a verdade, não estou me importando muito com quem vai ler o que escrevo. Estou a fim de escrever e, por ora, isso me basta.
O dia em que isso não for mais suficiente, eu repenso a existência do blog. Ou encontro um editor."

Mas a verdade é que estou repensando não porque não estou mais a fim de escrever.
Estou repensando a existência do blog porque ele passa muito tempo sem que eu o atualize. 

Seria pela falta de tempo?
Claro!
Mas acho que é mais uma questão de falta de priorizar.
Porque o tempo falta, é claro, como falta para todo mundo.
[Outro dia, o Bruno disse: "A função fática do paulistano no séc XXI: 'Tudo bem?' - 'Mó correria'. Dito isso, o canal de comunicação se estabelece e os 2 podem conversar.". Concordei.]
Mas não estou deixando de fazer outro milhão de coisas por conta disso.


Assim, me pergunto se não estou mesmo mais a fim de escrever. Será?
Mas tenho taaaaaanta coisa que queria registrar aqui.
Taaanta coisa sobre as quais falei, ou me falaram, "essa vai pro blog".
Mas aí elas passam e ficam desatualizadas, ou ficam menos lembradas por mim e aí, tenho a sensação de que, mesmo que deem um post, não dão uma boa história, e aí, não escrevo.


Penso em me obrigar a escrever.
Mas assim todo o prazer da coisa vai embora, né?


Enfim, repensando.


Outro dia, li, num outro blog, que é bom escrever para se manter escrevendo. Foi por esse motivo que a autora daquele blog, que agora não me lembro quem é, disse que tinha criado o blog dela.


E foi por esse motivo que eu escrevi esse repensamento aqui.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sobre nascimentos


E nasceu o Tomás.

O Tomás chegou mais de um mês adiantado.
Nós (eu e Guiba, com certeza, e outros que se solidarizaram com a causa), nos sentimos um pouquinho culpados pela chegada adiantada, uma vez que a Naná foi da nossa festa direto pro hospital. Talvez o médico da Naná não tenha sido lá muito explícito ao falar sobre repouso, vai saber. Mas diante da nossa culpa, o Pedroca foi super enfático e disse que ele ia chegar mais cedo de qualquer jeito, já estava se preparando para isso e ponto. Ninguém mais precisava sentir culpa. Alívio geral.

Tomás Rodrigues Ekman nasceu no dia 25 de junho, às 11:00, no Hospital Santa Catarina. Feriado de Corpus Christi. E véspera da Parada Gay de São Paulo. Em 2011, a Parada Gay de São Paulo é reconhecida como a maior do mundo e rola na Avenida Paulista, a mesma avenida em que fica o Santa Catarina. Pensamento de todo mundo que foi visitar Naná e Pedroca no dia do nascimento do Tomás: “ainda bem que foi hoje, né? Se fosse amanhã, ninguém chegaria aqui...”.

Ponta de lança Tomás, nas palavras de Gui Varella, nosso escritor de emails preferido. Nascido antes da hora, mesmo que com uma certa expectativa nos últimos dias, o Tomás não tinha ainda tudo pronto para sua chegada. Não tinha nem rolado o famoso chá de bebê, que ajuda papai e mamãe a montar o kit baby em casa.

Assim que nós, os tios, corremos para comprar várias coisinhas básicas que o Tomás ainda não tinha (lençol, toalha, banheira, cobertor e fraldas. Fraldas, muitas fraldas, assim a Leu mandou). E lá fomos nós para a maternidade. Dar um beijo e um abraço na Naná e no Pedroca e não ver o Tomás.

Afinal, ele nasceu antes da hora e não ia ficar por lá dando sopa para todososmicroorganismos que nós carregamos conosco impunemente. Poderiam não ser impunes para eles, não é?

Mas foi ótimo ver Naná e Pedroca recém-pais. Na realidade, todos ficamos mesmo foi mega impressionados com a Naná que, mesmo depois de um parto natural (na-tu-ral, viu? Sem anestesia, nem nada, na raça, coisa pouco comum nesse século XXI), estava lá, sentadona, batendo mó papo, tirando sarro da sua situação de recém parideira, bem Naná mesmo.

Além dos presentes do chá com bebê, que a gente carregou para o hospital no maior estilo sacoleiros, eu e Guiba levamos o nosso presente especial. A música do Luiz Tatit que anuncia a chegada do Tomás. Aquela que a gente já conhece faz tempo e sobre a qual conseguiu guardar segredo durante todos os meses em que já sabíamos que o Tomás seria Tomás, para só dividir com papai-Pedro e mamãe-Anaí quando o Tomás chegasse de fato. Para quem não conhece e ficou curioso, a música aqui:

Uma alegria só!


No dia em que o Tomás nasceu e enquanto estávamos por lá, a mamis Naná precisava ficar de repouso por umas horinhas (e a gente até deixou, viu!). Então, que desceram Pedroca e vovó Márcia para visitar o pequetico. Quando voltaram os dois, ótimas notícias, tudo bem com o baby e um pequeno detalhe, ele tinha tomado um pouquinho de leite materno de outra fonte, que não a mãe dele. Anaí ensaiou um sentimento de ficar p. da vida. E o comentário da minha pessoa foi “Nanis, saiu de você tá no mundo”. Aí, diante de um olhar que insinuava a fúria da Naná, a Márcia falou para eu tomar cuidado que ela estava sensível e poderia me xingar. Não xingou. Mas se tivesse xingado, seria bem Naná também, né?

O Pedroca também voltou com fotos do Tomás. E eu concluí que ele era um neném com cara de bem resolvido, nem parecia que tinha chegado adiantado.

Então que Naná passou os dias seguintes ao nascimento do pequeno alternando entre o bebê e a sala onde se tira leite (sala de ordenha, mas vamos evitar, né?) para garantir a alimentação do Tomás enquanto ele ficou no hospital.

Aí, passados alguns diazinhos o Tomás foi para casa.

E a tia coruja aqui foi visitá-lo no mesmo dia:

(cara de panaca da pessoa. Coruja, eu?!?!)


Fofos de tudo.

Quero deixar registrado que, apesar de tê-lo feito durante toda a gravidez, desde que ele nasceu, eu não chamei o Tomás de Tomate. Mas, devo dizer que mesmo tendo sido bem comportada, os demais tios postiços não foram e logo de cara chamaram o Tomás de Tomatinho. Agora, até aí, tudo bem porque logo descobrimos que a Naná também já tinha chamado o filho dela de Tomate, porque ele fica com a cabeça toda vermelha quando faz força, ao chorar ou fazer cocô.

Enfim, mas tudo isso contando que todos nós fomos visitar Tomás numa noite dessas.
Numa noite, bem noite, porque Pedroca e Naná são pais desencanados. Tanto que o Manu até comentou que poderia deixar a Maia Sol para um estágio por lá.

Quando o Bruno chegou, ele entrou com cara de criança travessa depois de tomar uma bronca. Isso porque ele foi para lá depois do trabalho. E ele sai do trabalho à meia-noite. O porteiro do prédio da Naná e Pedroca ficou super indignado e deu bronca no Bruno por conta do horário em que ele estava chegando para visitar um casal que acabou de ter um neném “Isso é hora de visitar quem acabou de ter bebê??”. Mas os anfitriões, donos da casa e recém-pais, não estavam se importando com o horário da visita, assim que o Bruno pôde ficar tranquilo.


E na nossa visita coletiva ao Tomás, ninguém pegou o pequetico no colo. Só ficamos todos olhando e babando. E o Tomás super na dele, dormiu quando quis, mamou quando quis, fez cocô quando quis, enfim. E enquanto jantávamos botando o papo em dia e dando altas gargalhadas quando necessário, o Tomás ficou por lá, num sono de dar inveja, ao som de Billie Holiday – o garoto tem gosto desde cedo, hein?

E cenas da nossa visita coletiva:
Tios Gui Varella e Bruno Lupion babando e acompanhando a troca de fraldas. Ou seria aprendendo, né?



Manu, que já conhece bem o esquema, mas não deu pitaco.



Dada tamanha desenvoltura na troca de fraldas, o Guiba virou pro Pedro e perguntou “Ô Pedroca, quantos desses aí você já teve, cara???” E o Gui complementou: “Ou fez estágio na Alô Bebê?”.

Trocado e cheirosinho com o tio Guiba de olho.


Mais uma vez registro o fato de que mais bacana do que ver os bebês nascendo e ter a sensação incrível e coruja da chegada de um novo sobrinho, é ver nascer os meus amigos pais.

Assim como achei o Tomás um bebê bem resolvido, Pedroca e Naná são pais super bem resolvidos. Tranquilos na arte de serem pais.

Tomás, querido, acho que você deu sorte que seu pai e sua mãe já tiveram várias sobrinhas antes de você chegar para dar aquela ensaiada.
 
Enfim, Pedroca e Naná estão vivendo o momento novo com as dores e delícias típicas e nós, por aqui, assistindo de camarote. Eu estou super orgulhosa dos meus amigos. E super confiantes neles para o difícil processo de educar alguém nesse mundo muito doido em que vivemos.

Adoro ver casais bacanas botando filho no mundo. Grandes chances dos filhos se tornarem também pessoas muito bacanas. E o mundo ter um futuro melhor.
 
Tomás, quando você estiver maiorzinho, a gente avalia se tá funcionando, tá?



E demorou, mas aqui está o texto sobre o nascimento do Tomás. Bem no dia em que ele completa um mês de vida nessas bandas de cá.
(com a colaboração do tio Bruno Lupion que, jornalista e editor que é, cortou metade do meu texto antes de ir pro ar).

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sobre os choros de junho

Fico pensando que talvez junho tenha sido o mês em que mais chorei na vida (pelo menos na parte da vida de que me lembro – obviamente descontando os primeiros meses de vida, em que a comunicação basicamente se dá pelo choro e dos quais não me lembro. Se bem que, pelo que me contam, eu não era uma bebê chorona, enfim!). De qualquer maneira, chorei mesmo muito nesse último mês.

E não foi choro de tristeza.
Assim como os bebês, acho que também temos diversos tipos de choro. Em mim, eu reconheço alguns: o básico choro de tristeza, o choro de dor (física, porque outras dores se enquadram no choro de tristeza, né?), o choro de desespero, o choro de angústia/ansiedade, o choro de cansaço e o choro de emoção. Esqueci de algum? Da minha experiência, acho que essa é a lista.

Então que meus choros de junho se concentraram basicamente nesses três últimos tipos. Muitas mudanças por aqui que, por sua vez, geram ansiedade/angústia, cansaço e emoção.
Mas esses choros nem são ruins de se chorar. São até bons, porque com as lágrimas as sensações se afloram, ficam evidentes e mais fáceis de serem divididas. Alguém concorda com a psicologia de botequim?

Ok, tudo isso é introdução para contar que junho foi um mês do cacete.

Gui e Leu casaram, eu e Guiba casamos (em ambos os casos, casamento não significa papel, juiz ou padre, tá bem? Só uma festa e alguns discursos, ou seja, o que interessa de fato). No fim da última festa, o Bruno pediu para darmos um tempo de uns dois meses para o próximo casamento porque o coraçãozinho dele poderia não aguentar tanta emoção concentrada.

Tudo bem, mas nem sempre a gente consegue combinar os prazos, né? E aí que chegou mais um momento emocionante.
Nasceu o Tomás!
O filho da Anaí e do Pedro (ou Naná e Pedroca, o que nos soa bem mais familiar, in the case). O segundo filho da nossa turma! Uma alegria só!

Mas como nascimentos merecem ser decentemente celebrados, não vou deixar o registro do nascimento do Tomás depois da introdução sobre os choros de junho. Vou deixá-lo em um post à parte.

(em breve, em breve, eu juro)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sobre trabalhar em casa


Este ano, por motivos diferentes, eu tenho tido uma experiência inédita na minha vida: trabalhar em/de casa.
Quer dizer, eu sempre trabalhei em casa, quando tinha que virar madrugada ou passar o fim de semana em hora ou projetos extras.
Mas ainda não tinha tido a experiência de trabalhar em casa mesmo, no horário comercial, enquanto a maioria das pessoas está no escritório.
Da experiência, algumas lições já aprendidas, que posso dividir:

Não posso acordar e ligar o computador e responder o primeiro email do dia, antes de lavar o rosto, fazer xixi ou tomar café.
Se fizer isso, grandes chances de ficar de pijama, com remela no olho e de jejum até a hora do almoço.

Não posso desligar o despertador e já abrir o email no celular.
Chances de cometer o erro acima.
(Mas essa é pra vida, né? Não pode desligar o despertador e já abrir o email no celular e ponto.)

Assim, horário para começar é fundamental.
Não vale picaretear a manhã com um longo café lendo todo o jornal, arrumar um tantinho a casa, tomar banho com calma e fazer mais várias coisinhas que são rapidinhas, mas que somadas preenchem toda a manhã, e em seguida pensar que agora não vale começar a trabalhar porque já é hora do almoço.
Isso tem nome: procrastinação.
E tem custo: a sua noite de sono.

Se vc tem um(a) companheiro(a) que também trabalha em casa, como é o meu caso, concatenar os humores pode ser essencial.
Se um está concentrado no trabalho, o outro pode estar na hora de ler os emails e querer dividir aquela notícia besta que acabou de ler.
Até porque os ritmos podem ser bem diferentes e um pode entrar na procrastinação do outro e os dois perderem a noite de sono (?) para cumprir prazos.
Nesse caso, vale um respeito mútuo de tempos e combinar horários conjuntos para pôr o papo em dia (?!?!) durante a jornada. Tipo, a hora do almoço.

Aliás, pela saúde da relação e da vida profissional, mesas separadas é essencial.
Computador, então, nem se fala.
Ah, e internet também.
Para quem acha que vale ter em casa aquele modem da operadora de celular para dividir, só se os dois trabalharem fora e não usarem internet em casa nunca.
Senão, vai dar guerra. Pode apostar.

Se é dia da faxineira, vale combinar com ela os horários para limpar o escritório.
Tipo, limpa enquanto tomo banho.
E vale uma cara meio emburrada se ela quiser mesmo bater papo enquanto vc estiver trabalhando.

Para quem é casafóbica (existe isso, Carla?), como eu, a dica é almoçar fora.
Mas não vale aproveitar a saidinha para emendar um café na Kopenhagen e uma ou outra coisa que vão durar a tarde toda.
Ou vale.
Mas, aí, vai a noite de sono...

Poderia continuar, mas acabo de me dar conta de que listar todas essas coisas aqui, antes de estar prestando um serviço a alguém, serve para meu autoconvencimento.
A verdade é que vale tudo, desde que vc se organize.
É ótimo não ter horário para entrar e sair, não ter um ambiente que exige formalidade ou um chefe mais preocupado com o tempo que vc leva para almoçar do que com a qualidade do seu trabalho...

No fundo, o que aprendi mesmo é que uma dose extra de disciplina é essencial para não virar a noite trabalhando para cumprir o prazo.
Mas se vc é notívago, ok, né?

domingo, 10 de abril de 2011

Sobre a fase infernal

Eu chutei o peso de porta e, na sequência, a porta.
E o meu dedão do pé direito não aguentou o tranco e se quebrou.
Bacana, né?

E ontem enquanto tomava um banho com o pé para cima enrolado no saco plástico, eu descobri a causa. Ou melhor, eu me lembrei dela.
É impressionante!
Todo ano a mesma coisa.
Ele chega.
Sempre ele!

...

Oi, Inferno Astral, como um ano passa rápido, não é mesmo?
Devo dizer que não estava com a menor saudade da sua presença na minha vida.
Mas, ok, já que você está por aqui, entre, fique à vontade, e vamos fazer esse mês passar bem rápido, tá bem?
 
...

E São Longuinho, meu querido, dadas as circunstâncias, eu vou demorar um pouquinho para pagar os 850 pulinhos faltantes, ok???