terça-feira, 5 de abril de 2011

Sobre milhas aéreas

Até que eu viajo bastante e coleciono muitas milhas. Mas há alguém muito próximo de mim que anda viajado mais. Além do meu pai, que sempre foi assim, agora, na minha "família", minha mala também está colecionando mais milhas do que eu.

Nessa missão, estou novamente em Montréal, vindo da Guatemala, com conexão em Miami (outra vez).
Cheguei na quinta à tarde. E minha mala?
Ela não chegou junto comigo.
Como havia outras pessoas do meu voo na mesma situação e como o aeroporto de Miami - que já não é lá um lugar muito organizado - estava bem confuso por conta do tornado na Flórida, eu assumi que minha mala, assim como a de outros passageiros, ficou perdida por lá, e que ela chegaria no próximo voo, ainda naquela noite.
Estando eu num hotel em Montréal, a super simpática atendente da AA (super simpática foi irônico, tá?) me garantiu que eles me entregariam minha mala ainda naquela madrugada.
Ok, né? Fazer o quê...
Tudo isso depois de passar bastante tempo no aeroporto, cuidando da burocracia necessária para ter minha mala de volta.
Fui pro hotel. 
Dei um up no visual com o que eu tinha na nécessaire da bolsa (e que não era muita coisa, vez que hoje em dia existe a possibilidade de se explodir um avião com um líquido ou gel carregado dentro de um vidro de shampoo ou desodorante) e fui jantar com a Paula.
Ainda bem que o lugar era sussa - os canadenses são sussa, em geral - e eu pude ir jantar com minha calça jeans surradinha que usava na viagem.
Voltei para o hotel, tomei um banho com os produtos disponíveis no banheiro, que normalmente eu não uso porque eu sou fresca (admito), e fui dormir, com a esperança de ser acordada no meio da noite com a chegada de minha mala.
Deixei recado na recepção de que eu queria receber minha mala a qualquer hora em que ela chegasse. 
Dormi por uma hora e acordei, calculando que, pelo horário, a mala já deveria estar lá. Mas como ninguém tinha me ligado, tinha que esperar mais. Dormi mais uma hora e nada. Uma outra hora e nada. Passei a noite acordando de hora em hora e nada da minha mala.
Como já era 06h00 e nada da minha mala aparecer, liguei para o telefone indicado pela cia aérea. Falei com uma máquina muito eficiente. Conversamos por vários passos. Ou melhor, ela me fez várias perguntas e eu fui respondendo.
Até que chegou o veredicto: "your bag has not yet been found....". E que eles me contatariam assim que tivessem mais notícias.
Ahhhh! Como assim não foi achada?!?! Teclei todas as opções com a esperança de que alguém me atendesse para eu poder reclamar e xingar a pessoa, mas o atendimento é todo feito pela gravação, que ficou impassível diante dos meus xingamentos.
Ok, então, vamos esperar mais.
Mas eu tinha que trabalhar.
E lá me fui. De calça jeans surrada, botas esportivas, muito bem vestida para viajar.
Passei o dia trabalhando vestida assim e explicando para as pessoas que a AA tinha perdido minha mala e que por isso que eu estava daquele jeito bem sem jeito.
E passei o dia consultando o site da AA para ver o status da minha delayed baggage.
E ela passou o dia todo sem ser encontrada.
Os pensamentos do dia (quando eu não estava concentrada em algo) eram: "Em que lugar do mundo minha mala estará?" "Será que algum dia eu vou tê-la de volta?" e lista mental de todas as roupas queridas que estavam dentro dela e que corria o risco de eu nunca mais ver.
Saí do escritório, direto para a Rue Saint-Catherine para fazer compras.
Detalhe, eu até gosto de fazer compras, mas comprar roupas por pura necessidade, estando cansada e frustrada, não é um programa muito agradável. Não é nada agradável.
La Baie para calcinha e meia. GAP para calça jeans e blusa. ZARA para malha e um cachecol.
Farmácia para shampoo, condicionador, hidratante, sabonete de rosto, adstringente, colírio (coisas sem as quais eu não vivo...)
E ainda bem que é fim de semana!
Jantar e hotel.
No site: ainda nada.
Mais uma noite mega mal dormida, pensei.
Dormi um pouco e despertei às 03h00, pensando na mala.
Peguei o telefone no criado-mudo, entrei no site da AA, hopeless. Acharam!
Felicidade sem fim!!! Acharam!!!
Liguei pro Guiba. Acharam!!!
E para minha mãe: acharam!!!
Eu sei, eram 4 da manhã no Brasil, mas minha família foi super compreensiva, tá?
Depois de controlada a euforia, dormi de novo, profundamente.
Por duas horas.
Às 05h00, toca meu telefone. Era a moça da recepção se desculpando por me acordar, mas como havia um recado de que eu queria ser informada sobre a chegada da minha mala a qualquer hora que fosse, ela estava me ligando porque a cia aérea tinha acabado de deixar minha mala lá.
Felicidade sem fim, parte 2.
Coloquei o roupão (ainda bem que o hotel era muito fino! BTW, tinha uma máquina de Nespresso no quarto que eu queria muito levar para casa) e me preparei psicologicamente para a alegria de ver minha mala de volta e me controlar para não ir abraçá-la (a mala) na frente da moça da recepção.
A moça bate na porta, eu abro com cara de feliz e ali está ela com uma mala azul - que não era minha.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!
Eu não gritei.
Eu só disse que aquela não era a minha mala.
Mas eu devo ter feito uma cara tãããããão triste, que a moça (que era canadense, e os canadenses não são pessoas de demonstrarem sentimentos assim gratuitamente) ficou com tanta pena de mim que quase se ofereceu para entrar e me fazer um chazinho de camomila.
Ela se ofereceu para tentar resolver o problema.
Acho que ela se sentiu um pouco culpada por não ter olhado na etiqueta e visto o nome do dono da mala, antes de deixar o entregador largá-la na recepção.
Naquele momento, o pensamento positivo era: "eles só fizeram uma confusão na hora de entregar e daqui a pouquinho eles virão aqui destrocar as malas".
Resto da noite (seria da manhã, né?) rolando na cama e acordando de hora em hora.
De manhã, a mala azul parada em pé na recepção e o hotel todo solidário com a minha causa.
A informação da moça da recepção que estava ali naquele momento era que a AA iria lá para retirar a mala azul e entregar a minha mala em algum momento. E não necessariamente no mesmo momento.
Quase que eu disse para ela que se eles não trouxessem a minha mala, ela não poderia deixá-los retirar a mala azul, porque eu ficaria com ela como refém. Mas eu não disse isso; eu me comportei.
Fui tomar café-da-manhã e programar meu dia, hopeless.
Quando eu voltava para o quarto, passei pela recepção e dei uma olhadela, hopeless again.
Mas ali estava ela. Paradinha, em pé, no lugar da mala azul.
A minha mala!!!!!
Eu quase corri para abraçá-la. Meus olhos se encheram de lágrimas. Mas eu me contive.
Ok, eu não me contive tanto assim, eu falei para a moça da recepção que eu queria abraçar minha mala.
Mas ela super compreendeu.

E então foi isso. Ela voltou para mim.
Inteirinha, intacta, da mesma forma como eu a tinha deixado no aeroporto de Miami.
Mas... sem nenhuma explicação.
Nenhuma cartinha ou bilhetinho dizendo por onde ela passou, por quais aeroportos, nas mãos de quem ela esteve, quantas milhas ela acumulou.
Nada.
Nenhuma informação.

Depois de tudo isso, eu merecia mais consideração, né?

E eu ainda devo mil pulinhos para São Longuinho.
1.000!
Mas como bem lembrou a Carla, ele sabe que eu pago.
Em prestações, mas eu pago!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sobre a alegria carnavalesca até debaixo d'água

Feliz ano novo!!!!

O ano já começou há muito, mas a vida anda tãããão insanamente corrida que o blog ainda está sooooo last year, não é mesmo?

Para corrigir esta falha, venho falar do Carnaval.
Afinal, é só mesmo depois dele que a gente vai considerar que 2011 vingou, né não?

E como a gente saiu na imprensa várias vezes nos últimos dias (para quem não viu, veja aqui: na Folha, no Uia, no Meia Hora), fiz uma matéria do bloquinho.

E o Carnaval já começou para os animados foliões e foliãs que fazem parte da Comunidade Saia de Chita. Comunidade interestadual e internacional, diga-se de passagem.
Sob o comando do animador de torcida, porta-estandarte, relações públicas, advogado do consumidor, músico e agregador, Gui Varella, e sob o apito desta que vos escreve, a Bateria de Saia, composta por mim, Guiba, Cotô, Juju, Thiago, Alê Loureiro, Sertão (diretamente de Porto Alegre), Bruno Lupion, Gustavo, Murilo, Alvinho e Capiau (não necessariamente nesta ordem e com revezamento), saiu de saia na Pompeia ontem.
No trajeto da Tucuna à Tucuna, passando pelas ruas Cajaíba, Cotoxó e (quem diria???) Alfonso Bovero, o povo bailou animado ao som da marchinha oficial do bloco (que pode ser ouvida aqui), de outras marchinhas (a já consagrada "Máscara Negra" com a abaixadinha, marca do bloco, foi tocada diversas vezes), de alguns sambas-enredo, de outras músicas menos carnavalescas (como "Bom Chi Bom Chi Bom Bom Bom", ideia do Bruno, e uns Jorge Ben, em ritmo de samba) e até de um "Parabéns a você!" para uma moradora de uma das casas do percurso que fazia aniversário. O bloco até mesmo respeitou o hospital que fica no trajeto, tocando "Bandeira Branca" bem baixinho para não incomodar os doentes.
A chuva não deu um minuto de trégua, mas a animação do povo venceu o desânimo geral e a paralisação causados pelo dilúvio que caiu em São Paulo ontem.
A noite terminou com cerveja e mais carnaval no Primeiro Baile de Carnaval da Patuscada (rá, batizei!), que sucedeu o bloco na Casinha que sedia a animação da galera.

As fotos do bloquinho de ontem:























Créditos das fotos: Rafaela Barbosa


O relato é para guardar o momento e para fazer inveja para quem perdeu.
Mas se você não foi ontem, não se desespere, porque há esperança.
O pré-carnaval do Saia de Chita é só ensaio geral para o grande momento que está por vir.
Domingo, o Saia de Chita desfila oficialmente em Santa Teresa.
Detalhes abaixo:




Vejo vocês lá!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sobre os assuntos sérios

Eu sei que esta não é a preferência de quem me lê por aqui, mas, de vez em quando, eu falo sobre coisas sérias. Sério.  

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre os anúncios de final de ano

Chegou o Natal:


O trânsito da Paulista no domingo à noite anuncia a chegada desta época de paz e harmonia.

Aos que estão aqui parados no carro, um apelo:

Você está aí nesse trânsito imenso porque quer ver a decoração de Natal na Paulista, certo?
Então, por favor, "relaxa e goza".
Porque eu moro aqui em cima, detesto toda e qualquer decoração de Natal e não tenho que aguentar o raio da sua buzina.
Ok???

[e se vc nem quer ver a decoração de Natal e ainda assim está nesse trânsito infernal, pegue a Vergueiro, a 23, vá por dentro do Jardins, ou tente o Google maps para caminhos alternativos, mas pelamor, não buzine na minha orelha!!! Agradecida.]

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sobre dias de Sol

[Eu já queria escrever este texto, mas achei melhor consultar o Manu. E ele deixou que eu escrevesse o texto, dizendo que, quando a Sol ficar mais velha e eu ficar famosa, ele vai dizer pra ela “Sabe a tia Marina, famosa... (vai saber em que eu serei famosa, né?)?, então, ela escreveu sobre você quando você nasceu”. E ela vai exibir o texto para os amiguinhos cheia de orgulho, como um amigo dele exibe uma caricatura de seu nascimento feita pelo Glauco... Estou esperando o dia em que eu vou ficar famosa...]

Mas a verdade é que, independente disso, só pelo causo do nascimento da Sol, nós (os tios) já colecionamos um montão de histórias para contar para ela quando ela crescer.

Então que a vida é assim e quando vamos chegando perto dos 30, os amigos começam a botar filhos nesse mundo. Eu tenho alguns amigos pais há mais tempo, mas até nascer a filha do Manu, eu não tinha me sentido tia. Agora, sim, eu me sinto tia. Tia coruja e babona e tudo o mais. E tia de uma candanguinha. A distância não me agrada, mas como o trabalho impõe viagens constantes a Brasília, eu já conheci a Sol, nos seus 16 dias de vida.

Não fui a primeira dos “tios paulistas” a conhecê-la, porque Gui Varella, que tem agenda de viagens mais cheia do que a minha, foi primeiro. Mas fui a segunda. E a que levou os presentes de todo mundo.
A Sol ganhou – ao contrário dos desejos da Laura que queria nos convencer a dar um carrinho de bebê, coisa que eu ou Gui nos recusamos terminantemente a carregar no avião – um sling super fofo e uma bebêchila roots (ambos os presentes descobertos no Pequeno Guia Prático para Mães sem Prática). Além de um macacãozinho equatoriano trazido pelo Gui e um macacãozinho guatemalteco trazido por mim. Os dois muito parecidos, o que fez com que eu me perguntasse se ambos não eram made in China.

Nossos presentes vieram bem a calhar, porque carrinho de bebê não combina com uma vida hippie. E a Sol é hippie, minha gente. Ou, pelo menos, filha de hippies.
Todo mundo já suspeitou pelo nome, né?

A começar pela casa onde ela mora. Você chega e diz pro taxista que vai até o Córrego do Urubu. Ele ri. E você não sabe se ele está rindo porque, afinal de contas, um lugar chamado Córrego do Urubu é mesmo digno de risada, ou se ele ri de felicidade com a fortuna que ele vai ganhar por te levar até lá.
Bem, 70 reais depois, e graças a uma precisa explicação que você tem no email que o Manu (aquele cara nada planejado, sabe?) te mandou e que você vai ditando ao taxista durante o percurso, você chega à casa de portão laranja. Depois de perguntar ao taxista se ele sabe voltar de lá, você pode descer e apreciar o mato, as plantas e conhecer a bebêzinha.
Aí, você se dá conta de que papai Manu, em sua nova função, não vai poder te levar embora e como raios você vai explicar para um taxista como chegar lá para te buscar?!?! E Manu ainda diz que o Gui combina a volta com o mesmo taxista da ida. Ok. Avisasse antes. Mas, no fim das contas, Manu me levou de volta...

Voltando à pequena. A Sol, na verdade, se chama Maia Sol (o que torna o nome ainda mais hippie), numa atitude descarada dos pais de deixar o nome dela mais acessível ao grande público. Porque na adolescência ela pode vir a se rebelar de se chamar Sol e querer algo mais tradicional. Ok, Maia não cumpre o papel de tradicional...

Mas, aí, Sol, se você estiver me lendo quando for adolescente, eu preciso te dizer que você se saiu super bem, porque, logo antes de você nascer, seu pai me disse que não via nenhum problema em não dar nome a um bebê e deixá-lo escolher quando ele estivesse apto para tal. Entonces, meu bem, agradeça por ter um nome antes de seus 18 anos.

Ok, a Sol não ficaria sem nome até os 18 anos. Ela só não teve nome nas primeiras 24 horas de sua vida.
Eu achei legal Maia. Conheço uma Maia que adoro de paixão. Mas já tinha mesmo me acostumado com Sol. E assim ficou sendo Sol para mim.

E a Sol tem nome, mas não tem berço. Na verdade, ela não tem nem quarto direito ainda. Mas quarto, ela terá. Berço, não. Isso porque berço limita a autonomia do bebê, segundo a Eva. Assim, enquanto não há solução alternativa, a Sol dorme na cama de Manu e Eva.

A Eva, que é uma mãe lindona, anda pela casa com os peitões de fora. O Gui tinha se impressionado com o fato quando foi visitá-los, mas a verdade é que os seios doem muito no começo da amamentação e a roupa acaba sendo super desconfortável, então peitos livres.
Sobre isso, preciso contar que, quando o Gui me contou isso, eu disse pro Guiba (o Guiba é o meu Gui, para quem não conhece todos os personagens da história), que participava da conversa "Big, pode se preparar que eu também vou andar com os peitões de fora". Aí, ele, que não entendeu a temporalidade da coisa, estranhou e disse algo como "Mas, pera, você vai chegar lá, na casa deles, tirar a blusa e ficar de peitão de fora também?!?!". Eu não fiz isso, by the way.

Eva chora quando a Sol chora. E só de ouvir o choro da pequena, os peitões da mamãe já começam a derramar litros de leite. Acho incrível como o homem é animal. Ok, isso não é incrível; é óbvio. Mas acho incrível constatar isso. Eu e Manu ficamos divagando sobre o tema.

No dia em que fui lá, foi a primeira vez que a Sol saiu para dar um passeio a pé. Ela ainda não foi à cachoeira; foi só à casa do vizinho. Mas quando ameaçou chover, o Manu voltou com o pacotinho Sol embaixo do braço, correndo e protegendo a bebêzinha da chuva e dos cachorros pelo caminho.

O jeito dele com a Sol me fez ver que o Manu é um pai protetor. Eu achei fofo.
Mas ele não pode sofrer em ser protetor, porque a Sol perdeu o umbigo provisório com três dias de vida, o que, segundo Eva, indica que ela será muito independente.
Melhor eles irem se preparando.
Se bem que parece ser algo muito distante quando você considera que, no presente momento, tudo o que a Sol faz sozinha é dormir, acordar e dar uma choradinha. Ela também mama nas posições mais incríveis, mas isso ela não faz sozinha. Depende de ajuda.

Sol, Eva e Manu moram no meio do mato. Pertinho da cachoeira. Mas a civilização mais próxima da casa é justamente o shopping mais chique de Brasília, o que, segundo Gui, vai dar tilt na cabeça da pequena.
E a contar pelo pai, que tem estilão meio mato-meio cidade, ela deve ter uma vida mais equilibrada. Afinal, Manu mora no meio do mato, mas puxa 130 metros de cabo para ter internet decente.
De qualquer forma, acho que não tem chance de ela virar patricinha. Ela deve mesmo crescer comendo as formigas do jardim (e criando muita resistência).

Acho que o choque de urbanidade (assumindo que Brasília não é lá muito urbana mesmo), ela terá quando for maiorzinha, vier a São Paulo e ficar aos cuidados dos tios urbanóides (eu, Ester ou Bruno). Aí, ela saberá o que é um cinema com filmes alternativos, o que é muita poluição, o que é o metrô na Paulista, aliás, o que é a Paulista, o que é o trânsito, o que é comer o yakissoba do Parque Trianon, um pastel de feira ou o dogão da van (ops! Este último nem eu, nem Ester e nem Bruno encaramos, então vamos ter que deixar aos cuidados do tio Guiba).

De qualquer forma, antes de nós estragarmos a Sol (o que é papel de tio mesmo), devo dizer que, pelo que vi, Manu e Eva estão fazendo um belo trabalho.

Aliás, Manu é um pai incrível. E não porque troca as fraldas (o que me garantiram que ele faz, apesar de eu não ter visto). Mas porque ele incorporou e está curtindo o papel de pai.
E o mais legal de ver seus amigos terem filhos, em minha opinião, é vê-los virarem pais.
Meio clichê, concordo. Mas acho incrível mesmo assim.
Eu vi isso no meu amigo Manu. E adorei o pai que ele virou.
Apesar de ainda estar me acostumando com a ideia (afinal, conheço o Manu há dez anos, né?).

Enfim, o post era para deixar registrado o momento incrível que estamos dividindo com Manu e Eva.
In-crí-vel!

E também para registro, fotos da Sol.
Tentei achar uma foto boa em que ela estivesse no meu colo, mas eu tenho um problema sério em fotos com bebês. Não tem uma em que eu não saia com cara abobalhada de encantamento.
Então, vamos evitar a exposição.
Pensei em colocar foto da Sol com a Eva, mas não tem nenhuma em que ela não esteja de peitão de fora. Nesse caso, também achei melhor evitar a exposição. E as visitas indesejáveis ao blog.

Assim, vai uma fotinho da Sol, que eu tirei no dia da minha visita. E outra que o Manu tirou no dia em que ela nasceu.

A minha foto da Sol dormindinho.


A foto do Manu, da Sol com close em seu pé.



Parênteses sobre o tema pé: eu calço 39. E desde adolescente. Sofri muitas vezes para achar sapatos de adolescente para meus pés 39. Ainda bem que os tempos são outros e hoje é fácil achar sapatos 39 de todos os modelos, porque, a contar pelo tamanho dos pés da Eva e do Manu, a Sol vai calçar 39 aos oito anos.



PS: Estou sofrendo para publicar este post, porque queria escrever algo bonito sobre nascimentos e vida e se tornar pai e tudo o mais. Só que o meu jeito de escrever não me permite. Assim, fico aqui pensando se o post está à altura do momento incrível... Se não estiver, espero que entendam a boa intenção!

sábado, 13 de novembro de 2010

Sobre encontros e desencontros

A Dri, que não é Berenice, me mandou esse texto.
A história aconteceu com ela. Ou melhor, parte da história aconteceu com ela. E daí, ela escreveu o conto.
Ela achou a história a cara do meu blog. Eu acho o meu blog um pouco cara de crônicas da vida cotidiana mesmo...
Mas, no meu caso, não crio contos.  As histórias que eu publiquei até hoje são fatos reais. Tragicomicamente reais.

Aqui vai o conto da Dri:


Encontros e desencontros

Dizem que a vida é feita de acasos. E foi num desses acasos que Ferreira reencontrou Berenice. Por alguma razão, eles tinham se perdido nessa vida. Mas quis então o destino que, sem nenhum propósito previamente estabelecido, eles se reencontrassem. O encontro se deu no fim de uma sexta-feira, lá no Largo Treze de Maio, no bairro de Santo Amaro, onde pelo menos um milhão de pessoas circulam por dia.

Aquela morena linda, de andar requebrado... Como um macho atraído por uma fêmea no cio, Ferreira avistou sua presa. Ao olhar novamente, para a cadência da morena, ele reconheceu Berenice. Já se passara muito tempo desde a última vez. Os cabelos diferentes, mas o mesmo gingar. Ele a seguiu e tocou no seu braço: - Berê, é você?!

Ela, em um primeiro momento, tentou se proteger, mas logo reconheceu o amigo. Um pouco mais barrigudo, claro, pois o tempo é implacável com todos, ou pelo menos com quase todos. Berenice, como um bom vinho, tinha ficado ainda mais bonita.

Ao reconhecer Ferreira, abriu um largo sorriso que o hipnotizou. Como num filme, vinham imagens em sua cabeça e ele se penitenciava por tê-la deixado sumir... - Como pude ser tão idiota, se perguntava, enquanto ela lhe contava sobre sua vida, e tudo o que aconteceu com ela nesses anos todos.

Ferreira resolveu então convidá-la para beber algo, por ali mesmo. Um chopinho para celebrar o reencontro. Ela, muito educadamente, declinou do convite. Mas, muito tranqüila disse a ele: anota aí meu telefone. Ferreira tentou uma vez mais, porém Berenice não se rendeu. E, com certa impaciência, lhe perguntou: vai ou não anotar?

Ele, embasbacado, resolveu então anotar. Pegou seu celular e começou a apertar os números que ela lhe ditava. Os dois se despediram e partiram para lados opostos. Ferreira foi para a parada de seu ônibus, não sem antes atropelar alguns transeuntes, pois andava olhando mais para trás do que para frente. Berenice seguiu seu rumo, determinada, confiante e até mais rebolante, sumindo na multidão.

Ferreira entrou então no ônibus. Estava tão inebriado com a situação que nem percebera o temporal que caía. As gotas escorrendo na janela do ônibus transformavam-se em imagens de Berenice. O cara caiu de paixão ou, como dizem, arriou dos quatro pneus.

Saiu do ônibus e nem se importou com a chuva, que, apesar de fria, não era suficiente para apagar aquele fogo que o consumia. Ao chegar em casa, tirou a roupa molhada e continuou pensando em Berenice. Dormiu no sofá, sem se dar conta... Sonhou a noite inteira com ela. No dia seguinte, acordou com dores no corpo. Estava gripado.

Resolveu então que não poderia propor nada para ela naquele final de semana, pois estava realmente incapacitado. Passou o final de semana cuidando do corpo, porque sua alma estava mais saudável do que nunca.

Na segunda-feira, logo pela manhã, resolveu mandar-lhe um torpedinho: “bom dia morena linda, como foi seu final de semana, o meu foi péssimo, estou com gripe, to com saudade, kero fazer amor com vc. bjs”.

Do outro lado, a resposta: “oi, você me mandou um SMS por engano”. Ao receber a resposta, que demorara algumas horas, ele pensou: - a morena continua linha dura... está fazendo doce.

E, mais animado ainda pelo possível jogo de sedução que começava a rolar, mandou outro: “boa tarde minha morena linda, não tem nada por engano, saudades, kero fzr amor com vc. bjs ferreira”.

Deste segundo torpedo, não recebeu nenhuma resposta. Como a primeira resposta demorou muito a chegar, resolveu então ser mais incisivo e partir direto para o ataque. Ferreira gostava de um charme, mas nem tanto. Decidiu telefonar:

- Oi morena linda. Tudo bem?

- Oi, aqui não é a sua morena.

- Ah, Berê, para com isso...

- Não sou quem você está pensando.

- Todos nós mudamos.

- Não, estou falando sério. Já até te mandei um torpedo para avisar.

- Mas... quem tá falando então?

- Não importa, não sou a Berê.

- Pô, é sério? (silêncio).

O tom de voz muda. E ele continua:

- Meu Deus, é sério... cê até mandou um torpedo pra me avisar, mas eu não acreditei...

- É, tentei...

- Achei que você, quer dizer, a Berê, estivesse fazendo doce.

- Desculpa te decepcionar.

- Pô, fazia um tempão que a gente não se via... eu mandei o torpedo... ai, o torpedo...

Sua voz era um misto de decepção, por ter anotado errado o número, e de vergonha, por ter sido tão direto. Imaginou mil cenas. Insistia em saber o nome da interlocutora. Pediu desculpas mais uma vez e, resignado, desligou o telefone.

Se o final de semana tinha sido péssimo, o começo da semana seria de matar... O que era sorte transformou-se em azar.


[E essa história da Dri me lembrou uma história que já publiquei aqui. Aconteceu com a Ester, em outros carnavais.]

 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sobre a autosabotagem

E então que a pessoa chega em casa e tem que terminar um trabalho enorme para a próxima semana.
O trabalho ainda está em fase embrionária.
Até a próxima sexta, a pessoa ainda tem que passar por três reuniões complexas e uma viagem de dois dias, em que fará uma apresentação que ela nem começou a preparar.
Além de trabalhar em dois lugares.
Ainda é cedo, o que faz a pessoa comemorar a possibilidade de tomar um banho relaxante e encarar o second round. Ou third round, in the case.
Ótimo.
A pessoa liga o computador e resolve aproveitar que vai ficar trabalhando nele para gravar no iTunes os CDs inéditos do Itamar que vieram na Caixa Preta.
...
...
Saldo: duas horas e meia em frente ao computador arrumando músicas, buscando as capas dos álbuns e dando uma organizada básica na trilha sonora da vida... e um parágrafo do texto do trabalho.
E a pessoa até se esqueceu de comer.
...
...
Pausa para o jantar.
E para a constatação do saldo das últimas horas "trabalhadas".
...
...
Inconformada com a situação e decidida a tornar positivo o saldo da noite de trabalho, a pessoa volta à frente do computador.
...
Abre o seu blog e resolve dividir com o mundo sua autosabotagem.



Por que raios eu faço isso comigo mesma?!?!