quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sobre a cereja do bolo

[Ontem o Fê tentava me convencer de que o inferno astral vai até o dia do aniversário "exclusive".
"Então, vai lá e conta isso pros astros, meu caro" foi a minha resposta.]

Ok, a fase infernal acabou, enfim.
Mas não sem um final em grande estilo para coroar o inferno astral.

É que no meu trabalho tem uma tradição de providenciar o bolo para a pessoa que faz aniversário.
E sempre tem toda aquele lance de manter o bolo em segredo para que o aniversariante não saiba que vai ter um bolo pra ele naquele dia e possa se surpreender ao ser convocado para uma reunião de última hora quando toda a equipe desapareceu e ao chegar na sala de reunião encontrar o bolo, com vela acesa, a Coca Cola e a equipe toda cantando "parabéns".
Obviamente que quase nunca funciona.

Ontem a minha surpresa já estava tão desmascarada que eu já tinha até escolhido que sabor de bolo eu queria e colaborado com a Carla na sugestão de onde comprar um bolo nas redondezas de nossa nova sede no centro.

Ok, achando que não teria mais possibilidade de surpresa, ontem eu me surpreendi! E como!

É que, descartada a mística, a Paula foi abrir a embalagem do bolo para cantarmos os tais "parabéns". E ela abre e fica surpresa. E a Maia olha e fica surpresa. E eu olho e também fico um taaaaanto surpresa!
O bolo de morango, daqueles com aquela coberturabrancabeeeemgorda e cheio de morangossuculentoscobertoscomaquelamelecacorderosa com um ar bem apetitoso, sabem?, veio sem um pedaço.
Sem um pedaço!!!
Um pedação inteiro daqueles bem triangular, cortado certinho, com cara de doceria, sabem?
Então, era esse o cenário desolador.

Isso deve ter uma explicação, claro. Foi o que todo mundo pensou.
E tinha, claro.
O boy - responsável por ir até a padoca providenciar a compra do bolo - tinha a explicação pro ocorrido.
A Carla mandou ele ir lá comprar um bolo de um quilo, mas, quando ele chegou na padoca, não tinha nenhum bolo de um quilo pronto. Todos os que estavam lá para serem levados na hora pesavam mais de um quilo. A solução encontrada? Tirar um pedaço do bolo para deixá-lo com um quilo, óbvio.
Simple like that! Não é???

E meu bolo de aniversário veio já cortado, sem aquele seu tradicional primeiro pedaço, com o qual as pessoas fazem seu pedido e entregam para uma pessoa especial, manjam???
Não é o ápice do inferno astral?!?!

Pois então que, se você foi ontem à Santa Teresa na Praça João Mendes e comeu uma fatia de bolo de morango daqueles com aquela coberturabrancabeeeemgorda e cheio de morangossuculentoscobertoscomaquelamelecacorderosa com um ar bem apetitoso, pode se sentir uma pessoa especial para mim, pois você está comendo o primeiro pedaço do meu bolo de aniversário.
E espero que a atendente da Sta. Teresa tenha aproveitado muito bem o meu pedido!

Humpf!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sobre diferenças culturais

[Na quinta, eu falei pra Renata que não tenho tempo nem pra fazer cocô. E ela riu e riu.
Não achou que fosse verdade...
Ok, achei o tempo de fazer cocô. Yes!
E com ele um mini-tempo para atualizar o blog]

Então que o inferno astral está enfim no fim (sim, sim, tenho fé).
E bailar la salsa foi o jeito de celebrar.

E, na salsa, a dulpa que mais fez sucesso de longe - assim, beeeeem de loooonge - foram as bailarinas Andica e Nanica. Elas!, as pequenas!
Dizem mesmo que as pequenas bailam melhor...

E histórias não faltam, podem apostar.
Mas na impossibilidade de narrar todas, vou ficar com uma da Andi.

Ela baila com o peruano. E o diálogo se dá todo em español.
Así:
...
- Yo soy de Perú (com sotaque de peruano)
- Ah, ¿sí?, ¿de Lima? (com sotaque argentino, ou melhor porteño)
- Sí, de Lima. Que barbaro (vixe, isso seria muito porteño, ok, ele não deve ter dito isso desse modo, mas foi nesse sentido...) que sabes cual es la capital de Perú. Y ¿que más tu sabes sobre Perú?
- Sé que en Perú hay más de mil tipos de papas...(ok, Andi, temos que admitir que isso foi estranho. Quem tem essa informação???)
- Síííí, más de mil tipos de papas y, de todas, tu eres la más linda...
- ¿¿¿...???

Alguém achou que isso era uma cantada?!?!?
Alguém, em sã consciência, canta uma mina chamando-a de batata?!?!?!?!

Só se for no Peru!

[E este post poderia se chamar "Sobre el dia en que la niña de Venezuela se transformó en papa". Depois a Andi explica.]

Ah, as diferenças culturais...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sobre a memória das coisas

"Or les souvenirs d'amour ne font pas exception aux lois générales de la mémoire, elles-mêmes régies par les lois plus générales de l'habitude. Comme celle-ci affaiblit tout, ce qui nous rappelle le mieux un être, c'est justement ce que nous avons oublié (parce que c'était insignifiant, et que nous lui avons ainsi laissé toute sa force). C'est pourquoi la meilleure part de notre mémoire est hors de nous, dans un souffle pluvieux, dans l'odeur de renfermé d'une chambre ou dans l'odeur d'une première flambée, partout où nous retrouvons de nous-mêmes ce que notre intelligence, n'en ayant pas l'emploi, avait dédaigné, la dernière réserve du passé, la meilleure, celle qui, quand toutes nos larmes semblent taries, sait nous faire pleurer encore."
(Marcel Proust, A l'ombre des jeunes filles en fleurs)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Sobre astrologia

Parem o mundo que eu quero desceeeeeeeeer!!!

Sério mesmo, precisa ser assim tão infernal o inferno astral?!?!
Tô imaginando como será o retorno de saturno...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sobre a saudade

A saudade que mais dói não é a do passado que já foi, mas a do futuro que poderia ter sido.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sobre meu dia de Cinderela

[a Helga vai se interessar por essa, mas aqui não tem nada de Helgolandia, tá?]

É que depois do meu dia de fúria de anteontem, ontem foi meu dia de Cinderela.

É porque eu estava de traje passeio como pedia o convite (aliás, preciso comentar o lance para o qual fui convidada depois) e, no visual passeio, eu estava de meias finas.
Manjam aquela meia tipo meia-calça, mas não aquela que é calça, aquela outra que usa com cinta-liga, segundo a Ester, e que, se eu tivesse aprendido com a minha mãe, eu nomearia de meia 3/4 ou 5/6 ou 3/8, ou sei lá que raios de fração?
Então, isso.

Mas meus sapatos são os de sempre e eu compreendi que eles não comportam a fineza das tais meias.
E então que eu passei o dia perdendo os sapatos, tal como Cinderela.
Literalmente.

No meio da rua no centro de São Paulo, na escada do McDonalds, na escada do metrô, na escada do metrô de novo, no meio da rua de novo, na escada do metrô mais uma vez e outras dezenas de vezes tentando descer a Consolação.
Foi assim.

Na primeira vez em que dei um passo e o sapato ficou lá atrás, eu voltei pulando de um pé só para resgatá-lo e fiquei um tanto constrangida, tentando encaixá-lo no meu pé sem sujar minha meia no chão da Praça da Sé.
Aí, depois, o negócio ficou tão corriqueiro que eu já morria de rir sozinha tentando resgatar o sapato perdido e sem muito sucesso porque, rindo, o negócio se tornava bem mais difícil.
E príncipe encantado nessa hora, benhê, não aparece nenhum, pode ter certeza.

Aí, eu fiquei um tanto receosa de perder meu sapato na saída do metrô e ele se estatelar lá embaixo e eu só poder resgatá-lo horas depois (isso aconteceu com a pasta da Andi e ela só pode resgatá-la horas depois, eu bem sei) e comecei a andar como uma pata, especialmente ao sair do vagão quando você deve tomar aquele cuidado básico com o vão entre o trem e a plataforma.
Sabem o "Mind the gap" dos trens de Londres?, no meu caso virou Mind the shoe!
Patético!

Eu sou mesmo uma lady, não?
Minha mãe sempre me diz isso e eu bem que acredito...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sobre um dia de fúria

Eu trabalho no Pátio do Colégio.
E bem aqui em frente tem um espaço reservado para o estacionamento de motos.
E aí que dia sim e o outro também o alarme dessas motos dispara.
E isso acontece inúmeras vezes por dia.
"Este veículo está sendo roubado e é monitorado pela CarSystem. Ligue 0800-772 72 71", manjam?

E aí, eu penso "obviamente esse veículo não está sendo roubado, porque, caso estivesse, o alarme não estaria berrando na minha orelha e me mandando ligar para a CarSystem. Não, eles passariam - moto e alarme - pelo meu prédio e iriam embora". Certo?
Pois é, ele tanto não está sendo roubado que essa joça de alarme fica aqui embaixo na minha janela berrando no meu ouvido enquanto a motoca está ali paradinha esperando voltar o motoboy, seu proprietário, que deve estar fazendo uma entrega pelas ruas do centro.

Então, ontem eu me enchi e liguei para a CarSystem.
Depois de ouvir as opções do menu eletrônico, digitei 5 para comunicar um roubo.
E comunico. O roubo de uma moto no Pátio do Colégio.

- Ok, senhora. A senhora poderia me informar a placa do veículo?
- Não, eu estou trabalhando no prédio e o alarme está soando lá fora. Aliás, meu caro, pensando bem, se esse alarme está soando a horas na minha orelha, talvez o veículo não esteja sendo roubado, né?
- Correto. Deve ter disparado o alarme sem que tenha havido o roubo do veículo.
- Correto. Então, como você vai fazer para essa joça parar?
- Então, eu preciso que a senhora me informe a placa do veículo para que eu contate o proprietário para que ele vá até o veículo e desligue o alarme.
- Ah, sim, você tá me zoando, né? Porque isso acontece várias vezes por dia. Então, você quer que cada vez que essa joça dispare eu pegue o elevador, desça 5 andares, chegue na rua, verifique a placa do veículo e volte para ligar para você para avisar que a bosta do alarme da moto placa XXX XXXX disparou na frente do prédio em que eu trabalho?!?! É isso?!?!
- É a única forma de contatarmos o proprietário, senhora.
- Ah, então talvez fosse o caso de eu deixar um funcionário à disposição para fazer isso porque esses alarmes disparam umas 10 vezes por dia.
- Senhora, sem a placa do veículo, não há nada que eu possa fazer.
- Ok, então porque você não manda um funcionário seu ficar aqui na frente do meu prédio, com um telefone na mão, verificando as placas das motos que têm os alarmes disparados e ligando para você, pode ser?
- Vou registrar sua sugestão senhora.
- Ah, vai? Muito obrigada.
- Sim, vou passá-la para minha supervisão.
- Ok, claro. Então vou ficar aqui na janela esperando o funcionário da CarSystem chegar e tentando não enlouquecer com esse maldito alarme...

E o João, o boy aqui, ficou indignado que eu descontei minha raiva em cima do sujeito que estava do outro lado da linha.
Ok, ele não tem nada a ver com isso, eu sei.
Mas alguém precisa ouvir, meudeus.
Porque eu fico ouvindo o cara da CarSystem gritar na minha orelha o dia inteiro. IN-TEI-RO.

Vocês acreditam que isso está acontecendo agora neste segundo?
Juro!

E é de enlouquecer.
E como é o inferno astral e tá tudo muito muito errado mesmo, eu descontei as raivas acumuladas no sujeito da CarSystem que não tem nada a ver com isso. Eu sei.

Foi mais ou menos um dia de fúria.