terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sobre Paulinho da Viola

[mensagem de texto para um coração ausente]

Para: Coração leviano
De: Coração imprudente

Mensagem:
Você não sabe o que fez de mim...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sobre um fim de semana na praia

Parte I – Sobre como uma deliciosa noite de sexta-feira pode virar um caos

Não sem um tantinho de esforço para me convencer da ideia, aceito o convite do Du para passar o fim de semana na praia.
Noite de sexta em Caraguá, partindo logo cedo para Cigarras na manhã do sábado.
Previsão do tempo: sol com nuvens durante o dia. Chuva no fim da tarde / Noite.

Com fé na Climatempo, vontade de manter o bronzeado e saudade do mar (já? Já!), pegamos a estrada na sexta à noite. Estamos eu, Duza, Léo e Ester.
Trânsito chatinho na serra, chegamos em Caraguá lá pela uma da manhã, junto de uma chuva torrencial que nos impediu de voltar para tirarmos as coisas do carro.
Hora da merecida breja que o Muba e a Lalá já tinham deixado gelando pra gente.

Breja lá dentro, barulho de chuva lá fora, companhias super agradáveis, papo bom, um violão. Início do fim de semana perfeito, certo?
Então siga lendo o relato.

A chuva estava, de fato, muito muito forte. O Du parecia um pouco preocupado com a possibilidade de encher a rua de água, de entrar água na casa, algo assim. Eu tentei dizer aos companheiros de empreitada que deveríamos ouvir as ponderações do Duza, mas a galera estava honestamente convencida que estava tudo sob controle, apesar do rio de água marrom que se formava na rua em frente à casa.

Ok, tudo sob controle, deve ser umas duas e meia, caio numa sonequinha revigorante no sofá.
A parte que eu não vi: a chuva pára – alívio!; a Ester vai à cozinha preparar pipoca; a Lalá resolve dar uma olhada na janela e constata que a água está subindo pela varanda.
Eu, de volta à história, sou acordada pelo Léo que me diz: “Má, vamos ter que deixar a casa”.

Será? “Calma gente, talvez não seja o caso de deixar a casa, vai ver que a água entra e logo escoa”, alguém observa. E a água vai entrando pela porta, pelas paredes, pelos ralos. Até o momento em que eu, dentro da casa, vejo um peixinho (juraram que era um girino, mas eu prefiro pensar que era peixinho) e o Léo, do lado de fora, vê o gato sair nadando.
É, gente, na hora em que o gato sai nadando é que fodeu mesmo!

Trocamos sapatos por chinelos, calças por shorts, enquanto a água invadia rapidamente nossa morada. Ester liga para os bombeiros, que devem ser os caras que sabem o que fazer numa hora dessas, e pede ajuda (“Tem alguma criança, deficiente ou idoso com vocês?”, “Não”, “Então, saiam da casa e vão para um lugar seco e abrigado”, leia-se, “então, se vira, mané!”). A chuva volta a cair. Tentativa semi-bem-sucedida de colocar os carros num lugar mais alto. Tiramos nossas mochilas do carro, trancamos a casa (os bombeiros mandaram trancar a casa) e, com água no meio da canela dentro de casa, vamos em busca de um lugar seco e abrigado, atravessando as ruas inundadas com água acima do joelho.

Parte II – Sobre uma interminável madrugada

Com uma esperança revigorante de encontramos logo um lugar para tomarmos um banho, nos livrarmos da inhaca, e dormir o sono dos justos, saímos em busca de abrigo por Caraguá. Tentamos hotéis, pousadas e motéis, (com direito a uma carona chorada, porque nada era tão perto assim) em vão. Nenhuma vaga num final de semana de janeiro, né pessoal?
E sem sorte, bota sem sorte nisso!, paramos na marquise de uma padaria fechada ao lado de um pessoal de Campinas que ouvia Engenheiros do Havaí no último volume, tomando cervejas cujas latinhas jogavam na rua (depois vai lamentar a enchente, né?) e que também estavam ilhados.
Nossa padaria virou um point de ilhados, todo mundo chegando em Caraguá na madruga, sem conseguir chegar em casa por conta das ruas inundadas. Trágico para todos, certo?
Não! Eles tinham casa, só não chegavam a ela. A nossa, era a única casa embaixo d’água.

A Ester, para se redimir de ter convencido a galera que estava tudo sob controle e com sua inesgotável fé no poder público, faz inúmeras ligações para os bombeiros e para a defesa civil. “Será que não tem um alojamento numa escola, ou algo assim?”. Sem sucesso.
Sem nenhum sucesso!
E é nesse momento que, ainda super bem humorados, constatamos que vamos esperar amanhecer na marquise da padaria e vamos esperar a água descer para tirarmos nossos carros e, assim que tudo isso acontecer, vamos voltar para São Paulo.
É, triste fim de semana na praia. Isso deve ser umas 4 da manhã.

Me vem uma ideia: achar pessoas que tenham casa em Caraguá. Mensagem de texto no celular de alguns amigos e a Biola (salvadora!) responde dizendo que não está por lá, mas que sua família pode nos abrigar.
Oba! Abrigo seco e com possibilidade de banho. (Nessas horas, sentimos que perdemos a vergonha, mas a dignidade jamais. Higiene já!)
Mas com um detalhe, nada fácil de superar, estávamos em Massaguaçu e a casa da Biola é em Indaiá.
Sem transporte nenhum, com ruas inundadas, nenhum carro passava (aliás, só chegavam carros avariados e motoristas surtados por lá – e a Ester ainda encontra um amigo dentre os que chegam para se juntar a nós na padaria), não tínhamos como chegar em Indaiá.
Ainda com fé no poder público, a Ester tenta convencer o funcionário da defesa civil que, se eles não vão nos abrigar, eles têm a obrigação de, pelo menos, nos transportar para o abrigo que arranjamos.
[Aliás, se o Toninho (da Defesa Civil) e o Devanildo (dos bombeiros) estiverem lendo isso aqui, “Muito obrigada pela bela ajuda que vocês nos prestaram, viu!”.]

6 da manhã. O Léo já fez da sua mochila um travesseiro. Eu durmo com a cabeça apoiada nos joelhos. Os campineiros colocam um forró no último volume. A Ester avista um táxi! Táxi! Obviamente ele está cheio, mas ela o convence a voltar. E ele volta.

É aí que o Seu Ranieri entra na história. Temos transporte. E ele vai levar 6 de uma vez.
[O arranjo possível dentro do táxi para transportar nós 6 é melhor nem comentar (é um tanto constrangedor admitir que eu tinha que levantar minha bunda pro Seu Ranieri trocar a marcha, né gente...).]
E ele sabe os atalhos para fugir da rodovia inundada e da polícia (mas nem precisava fugir da polícia porque, a essa altura, a Ester já tinha pronto seu discurso de advogada para livrar o Seu Ranieri da multa, argumentando sobre a ineficiência do poder público em nos ajudar e o nosso estado de necessidade).
E o Léo, dentro do carro, tentando explicar o seu momento zica pro Seu Ranieri (ih!, esqueci de contar que, enquanto estávamos na padaria, um cachorro passante ainda deu uma mijadinha na mochila do Léo. É, isso ilustra bem a zica.) e tentar convencê-lo a andar numa velocidade mais razoável e compatível com a serra, a chuva, os entulhos no caminho.
[É, Léo, é o retorno de Saturno, meu caro. E o Duza ponderando que, com seus 32 anos ele já deveria ter passado pelo retorno de Saturno, mas que agora ele tá vivendo o do Léo...]

Sãos (não sei se tanto assim – já que a leptospirose fica incubada até 10 dias) e salvos, chegamos à casa da Biola. O Rodrigo, primo dela (salvador!) nos recebe super simpático e conversador às 7 da manhã. E depois de um banho esfregação saizicaeleptospirose, caímos no sono em camas quentinhas e sequinhas.

Parte III – Sobre como as coisas se ajeitam

Acordamos lá pelas 11. A tia da Biola (outra salvadora) tinha preparado um super café-da-manhã pra gente. Na TV, detalhes sobre os estragos da madrugada “Em Massaguaçu houve o vazamento do córrego e do esgoto da região”. Esgoto???? Bem que eu digo que tem informação que é melhor não ter!
Secos e de barriga cheia, conseguimos dois táxis (é, não íamos chamar o Seu Ranieri de novo, né?) e partimos para ver o estado das coisas.

Chegada em Caraguá nada animadora. Vários caminhos diferentes para chegar na casa e, por fim, a constatação “é isso aí, continuamos embaixo d’água, bora molhar os pezinhos de novo”. E chafurdados na lama, mais uma vez, entramos em casa.
Verificação dos estragos, carro do Muba com água dentro. Meu carro, úmido. Ambos funcionam, ainda bem! A casa? A casa já teve melhores momentos.
Du mede a água lá fora. Será que o carro passa?
A água vai escoando numa velocidade de lesma. E as minhocas por ali, passeando.
Ok, vamos esperar. Fome? Bolacha água e sal com atum, no meio da lama. E a Ester ainda quis fazer um macarrão...
Du mede a água. Agora deve dar.
Arranjos vários, manobras várias e não se pode parar de acelerar. Só não pára de acelerar!
Muba tira seu carro. Sucesso! Léo tira o meu. Sucesso!
Algumas coisas que estavam na casa vão carregadas por nós, com água até a canela.
A vizinha, super solícita, empresta o chuveirão da casa para a gente lavar as pernas, tirando a lama, a inhaca e a leptospirose e, pronto!, podemos ir embora.
4 da tarde de sábado, almoço num árabe, a caminho da Cigarras, aí, começa o verdadeiro fim de semana na praia.

Lembram que eu disse que 2009 seria bombástico? Alguém ainda duvida?

E para comprovar, foto do Léo e do Duza, deixando a casa, na madruga:



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sobre coisas que podem acontecer quando se está no trânsito (ou melhor, sobre coisas que podem gerar o trânsito)

Fim da tarde de terça-feira, estou dirigindo na Heitor Penteado, naquele trânsito constante, pensando na vida, curtindo um samba e o pôr do sol no meio dos carros. Observando o caos da paisagem urbana, algo me chama a atenção no telhado de uma casa. Ali em cima, um cachorro e um coelho. Os dois ali, sentadinhos, e o cachorro com seu focinho ainda vai dando uma empurradinha (de leve) no pobre coelho, que vai escorregando para a beira do telhado.
Imbuída do meu espírito de protetora dos animais (sim, tenho esse espírito!), me dou conta que tenho que fazer algo para salvar os pobres bichinhos de cima daquele telhado. Detalhe: estou na pista da esquerda, a casa está à direita, um ônibus aparece, tapando a visão do telhado e a possibilidade de eu mudar de pista. Mas... a obrigação de salvar os animaizinhos fala mais forte. Paro o trânsito da Heitor, corto três pistas, dobro na primeira rua, largo o carro mal estacionado e vou correndo até a casa. Toco inúmeras vezes a campanhinha e ninguém atende. Ligo pro meu irmão (que também tem espírito protetor dos animais – até mais do que eu) que depois de chorar de rir ao telefone, me sugere chamar a polícia ou o bombeiro, o que, obviamente, eu não faria, uma vez que seria ridículo dar uma explicação dessas ao atendente do 190.
Fico pensando em como subir no muro para resgatar o cachorro e o coelho indefesos.
Nisso, outras pessoas percebem a situação. Um cara na pista da direita começa a gritar “ô moça, tem um cachorro e um coelho lá em cima”. Outra mulher passa e buzina do tipo “moça, vá lá e faça alguma coisa”. Outra, mais doida do que eu, corta a pista e larga o carro algo entre o meio da rua e em cima da calçada e desce para ajudar e tentar me convencer a subir mesmo no muro.
Caos instalado. Trânsito mais parado ainda.
E eu gritando “ô de casa”, no portão.
E não é que a de casa aparece. Uma mulher e duas crianças. Eu explico a situação.
E ela “ah, isso é normal, eles sempre ficam aí no telhado”.
Eu argumento “o cachorro está empurrando o coelho, ele pode cair”.
E ela “ah, mas se ele cair, ele sabe voltar”.
Eu “então, isso é normal?”.
Ela “é sim, outras pessoas já pararam aqui pra avisar”.
“Outras pessoas já pararam pra avisar?” – eu, pensando “otária!” - “ok, então, feliz ano novo”.
E vou-me embora ponderando se não deveria denunciar a dona da casa para a CET pelo trânsito causado na Heitor Penteado. Será que tem multa pra isso?

Então, se num dias desses lá pelas 7 e meia da noite você estiver num trânsito enorme na Zona Leste da cidade, saiba que pode ser culpa de um cachorro e de um coelho no telhado de uma casa da Zona Oeste.


Tirei uma foto da cena, para enviar por mensagem para meu irmão entender o que estava acontecendo. Aqui, pra comprovar a veracidade de minha história:



E com zoom:



quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sobre Van Gogh e Dalí

Na tentativa constante de pintar o mundo com cores impressionistas, vou administrando minha vida surreal.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sobre o passar do tempo

Vocês já tiveram a impressão que o tempo passa num ritmo muito diferente em cada lugar?
Eu sempre tenho essa impressão.

Em São Paulo, você acorda atrasada às 7h30, toma banho correndo, toma café da manhã lendo o jornal (para não perder um minuto), vai de carro pro trabalho ouvindo notícias no rádio e resolvendo parte da sua vida burocrática pelo celular (para não perder um minuto), chega no escritório voando, dá uma olhada nos emails, olha a agenda, começa a trabalhar, olha o relógio: 13h00.

Na Bahia, você acorda às 9h30, se arruma, faz todo o processo interminável de passar protetor solar, sai, chega na praia, anda a praia inteira, senta, toma um coco, levanta, entra no mar, entra no rio, deita no sol, lê uns capítulos do seu livro... Pergunta a hora: 10h30.

O que levaria um dia inteiro em São Paulo leva uma horinha na Bahia. Comprovado empiricamente. E de outros carnavais.

Aí ficamos elucubrando, é o trânsito, são as distâncias, é o fato de você estar de férias ou não. Ok, ok, pode ser tudo isso junto. Mas que o tempo passa mais devagar lá do que aqui, passa.

E isso me faz pensar, se São Paulo é o lugar onde o tempo passa mais depressa, por que eu continuo vivendo aqui?
Rumo à terceira idade em marcha acelerada?
Vai entender...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sobre fogos de artifício

Existe um princípio básico para se lançar fogos de artifício que deve ser o de isolar a área de onde os fogos serão lançados. Certo?
Então, deixa eu contar do meu réveillon.

Estamos ali, na praia mais escura já vista, com milhares de estrelas no céu, cheia de montinhos de pessoas, sem quase conseguir enxergar um palmo na frente do nariz, em Caraíva, uma vilinha em Porto Seguro – BA, onde, apesar de ter bastante gente pra virar o ano, a prefeitura não organiza uma queima de fogos para celebrar a virada. E, cá entre nós, virada de ano sem fogos não vira, né?
Beleza. Os bem-intencionados donos de bares na praia resolvem essa pendência para os pobres mortais e organizam a queima de fogos.
Ok, este é o cenário.
E estamos nós, naquela de tentar descobrir que horas são e que horas vira, se faltam 5 ou 2 minutos (já que na Bahia a vida é tão calma que até o ano novo chega depois...) tentando descobrir a hora no celular da Ester. Ao que a Ester, depois de descobrir que o ano novo chegará em pouquíssimo tempo, vira para trás e vê uns rapazes agachados, logo ali, grudados na gente. Eram os caras que estavam acendendo os fogos de artifício. Ali mesmo, grudados no povo. No meio da galera!
A Ester solta um “ai, caralho, os fogos estão aqui, caralho, caralho” e os fogos começam a estourar, assim mesmo, nas pernas e cabeças da galera. Obviamente que todos saem correndo tentando salvar pernas e vidas. E o Alê ainda relata um cara gritando “é o Iraque, é o Iraque”.
Surreal!!!

E na manhã do dia primeiro, enquanto devorávamos um panetone tentando evitar a inevitável ressaca da cachaça Busca Vida, ainda temos a continuidade do momento surreal com nosso vizinho artista global (o vizinho artista global mereceria todo um tópico à parte, seguramente!) interpretando para a gente a virada de ano Armageddon, segundo ele. Interpretação digna de Oscar! E nós chorando de rir.

Agora, me digam, depois de começar o ano nessa explosão vocês duvidariam que 2009 será um ano bombástico? Eu não!